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Mário de Andrade
Nome:
Mário Raul de Moraes
Andrade (Mário de Andrade)
Nascimento:
09/10/1893
Natural:
São Paulo - SP
Morte: 25/02/1945 |
Eu sou um escritor difícil
Que a muita gente enquisila,
Porém essa culpa é fácil
De se acabar de uma vez:
E só tirar a cortina
Que entra luz nesta escuridez.
(A Costela de Grão Cão) |
1893:
Nasce Mário Raul de Moraes Andrade, no dia 9 de outubro, filho de Carlos
Augusto de Moraes Andrade e Maria Luísa Leite Moraes Andrade; na Rua
Aurora, 320, em São Paulo-SP.
1904: Escreve o primeiro poema,
cantado com palavras inventadas. "O estalo veio num desastre da Central
durante um piquenique de subúrbio. Me deu de repente vontade de fazer um
poema herói-cômico sobre o sucedido, e fiz. Gostei, gostaram. Então
continuei. Mas isso foi o estralo apenas. Apenas já fizera algumas
estrofes soltas, assim de dois em três anos; e aos dez, mais ou menos, uma
poesia cantada, de espírito digamos super realista, que desgostou muito
minha mãe. "— Que bobagem é essa, meu filho?" — ela vinha. Mas eu não
conseguia me conter. Cantava muito aquilo. Até hoje sei essa poesia de
cor, e a música também. Mas na verdade ninguém se faz escritor. Tenho a
certeza de que fui escritor desde que concebido. Ou antes... Meu avô
materno foi escritor de ficção. meu pai também. Tenho uma desconfiança
vaga de que refinei a raça..." Este o depoimento do escritor a Homero
Senna, publicado no livro "República das Letras", Editora Civilização
Brasileira - rio de Janeiro, 1996, 3a. edição, sobre como havia começado a
escrever.
1905: Ingressa no Ginásio N. Sra. do
Carmo dos Irmãos Maristas.
1909: Forma-se bacharel em Ciências e
Letras. Terminado o curso multiplica leituras e freqüenta concertos e
conferências.
1910: Cursa o primeiro ano da
faculdade de Filosofia e Letras de São Paulo.
1911: Inicia estudos no Conservatório
Dramático e Musical de São Paulo.
1913: Morre seu irmão Renato, aos 14
anos, devido a complicações decorrentes de uma cabeçada em jogo de
futebol. Abalado pelo fato e trabalhando em excesso, Mário tem uma
profunda crise emocional. Passa um tempo em Araraquara, na fazenda da
família. Quando retorna desiste da carreira de concertista devido a suas
mãos terem se tornado trêmulas. Dedica-se, então a carreira de professor
de música.
1915: Conclui curso de canto no
Conservatório.
1916: Conclui, como voluntário, o
Serviço Militar.
1917: Diploma-se em piano pelo
Conservatório. Morre seu pai. Publica Há uma gota de sangue em cada poema,
poesia, sob o pseudônimo de Mário Sobral.. Primeiro contato com a
modernidade na Exposição de Anita Malfatti. Primeira viagem a Minas:
encontra o barroco mineiro, visita Alphonsus de Guimarães. Já iniciou sua
Marginália.
1918: Recebe Diploma de Membro da
Congregação Mariana de N. Sra. da Conceição da Igreja de Santa Ifigênia.
Noviciado na Ordem Terceira do Carmo. Nomeado professor no Conservatório.
Escreve contos e poemas. Colabora ocasionalmente em jornais e revistas
como crítico de arte e cronista; em A Gazeta e O Echo (São Paulo).
1919: Profissão na Ordem Terceira do
Carmo à 19 de março. É colaborador de A Cigarra, O Echo e A Gazeta. Viagem
à Minas Gerais, visitando as cidades históricas.
1920: Lê obras Index . Faz parte do
grupo modernista de São Paulo. Colabora em Papel e Tinta (São Paulo), na
Revista do Brasil (Rio de Janeiro - até 1926) e na Illustração Brasileira
(Rio de Janeiro - até - 1921).
1921: É professor de História da Arte
no Conservatório. Pertence à Sociedade de Cultura Artística. Está presente
no lançamento do Modernismo no banquete do Trianon. É apresentado ao
público por Oswald de Andrade através do artigo "Meu poeta futurista"
(Jornal do Commércio São Paulo). Escreve "Mestres do passado" para o
citado jornal.
1922: Professor catedrático de
História da Música e Estética no Conservatório. Participa da Semana de
Arte Moderna em São Paulo, de 13 à 18 de fevereiro, no Teatro Municipal de
São Paulo. Faz parte do grupo da revista Klaxon, publicando poemas e
críticas de literatura, artes plásticas, música e cinema. Escreve Losango
Cáqui, poesia experimental. Inicia a correspondência com Manuel Bandeira,
que dura até o final de sua vida. Publica Paulicéia desvairada, poesia.
1923: Estuda alemão com Kaethe
Meichen-Bosen, de quem se enamora. Faz parte da revista Ariel, de São
Paulo. Escreve A escrava que não é Isaura, poética modernista. Continua a
colaborar na Revista do Brasil (Rio de Janeiro).
1924: Realiza a histórica "Viagem da
Descoberta do Brasil", Semana Santa dos modernistas e seus amigos,
visitando as cidades históricas em Minas. Colabora em América Brasileira
(contos de Belazarte), Estética e Revista do Brasil (Rio de Janeiro).
1925: Colabora n'A Revista Nova de
Belo Horizonte. Publica A Escrava que não é Isaura: discurso sobre algumas
tendências da poesia modernista. Adquire a tela de André Lhote, Futebol,
através de Tarsila.
1926: Férias em Araraquara, escrevendo
Macunaíma. Publica Primeiro andar, contos, e Losango Cáqui (ou Afetos
Militares de Mistura com os Porquês de eu Saber Alemão), poesia. Escreve
poemas de Clã do Jaboti. Colabora na Revista de Antropofagia, na Revista
do Brasil e em Terra Roxa e Outras Terras.
1927: Colabora no Diário Nacional de
São Paulo: crítico de arte e cronista (até 1932, quando o jornal é
fechado). Estréia como romancista, publicando Amar, verbo intransitivo,
que choca a burguesia paulistana com a história de Carlos, um adolescente
de família tradicional iniciado nos prazeres do sexo pela sua Fraülein,
contratada por seu pai exatamente para essa tarefa. Lança, também, o livro
Clã do Jaboti, de poesias. Realiza a primeira "viagem etnográfica":
percorrendo o Amazonas e o Peru, da qual resulta o diário O Turista
Aprendiz.
1928: Membro do Partido Democrático.
Realiza sua segunda "viagem etnográfica": ao Nordeste do Brasil (dez. 1928
- mar. 1929). Colabora na Revista de Antropofagia e em Verde. Publica
Ensaio sobre a Música Brasileira e Macunaíma - o Herói sem nenhum caráter,
onde inova com audácia e rebela-se contra a mesmice das normas vigentes.
Com enorme sucesso a obre repercutiu em todo o país por seus enfoques
inéditos. Sob um fundo romanesco e satírico, aí se mesclavam numa
narrativa exemplar a epopéia e o lirismo, a mitologia e o folclore, a
história e o linguajar popular. O personagem-título, um "herói sem nenhum
caráter", viria a ser uma síntese, o resumo das virtudes e defeitos do
brasileiro comum.
1929: Inicia coluna de crônicas
"Táxi", no Diário Nacional. "Viagem etnográfica" ao Nordeste, colhendo
documentos: música popular e danças dramáticas. Rompimento da amizade com
Oswald de Andrade. Publica Compêndio de História da Música.
1930: Apóia a Revolução de 30. Defende
o Nacionalismo Musical. Publica Modinhas Imperiais, crítica e antologia, e
Remate de Males, poesia.
1933: Completa 40 anos. Faz crítica
para o Diário de São Paulo (até 1935).
1934: Diplomado Professor honorário do
Instituto de Música da Bahia. Cria e passa a dirigir a Coleção Cultural
Musical (Edições Cultura Brasileira - São Paulo). Colabora em Festa (Rio
de Janeiro), Boletim de Ariel. Publica Belazarte, contos, e Música, Doce
Música, crítica.
1935: É nomeado chefe da Divisão de
Expansão Cultural e Diretor do Departamento de Cultura. Publica O
Aleijadinho e Álvares de Azevedo.
1936: Deixa de lecionar no
Conservatório. Nomeado Chefe do Departamento de Cultura da Prefeitura.
1937: É contra o Estado Novo.
1938: Transfere-se para o Rio de
Janeiro (27 jun.), demitindo-se do Departamento de Cultura (12 mai.). É
nomeado professor-catedrático de Filosofia e História da Arte na
Universidade do Distrito Federal e colabora no Diário de Notícias daquela
cidade. Publica Namoros com a Medicina, estudos de folclore.
1939: Cria a Sociedade de Etnologia e
Folclore de São Paulo, sendo seu primeiro presidente. Organiza o 1o.
Congresso da Língua Nacional Cantada (jul.). Projeta a criação do Serviço
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, SPHAN. É nomeado encarregado
do Setor de São Paulo e Mato Grosso. Escreve poemas de A Costela do Grão
Cão. Publica Samba Rural Paulista, estudo de folclore. É crítico do Diário
de Notícias (até 1944) e colabora na Revista Acadêmica (Rio de Janeiro) e
em O Estado de S. Paulo. Publica A Expressão Musical nos Estados Unidos.
1941: Volta a viver em São Paulo, à
Rua Lopes Chaves 546. Está comissionado no SPHAN. Colabora em Clima (SP).
1942: Sócio-fundador da Sociedade dos
Escritores Brasileiros. Colabora no Diário de S. Paulo e na Folha de S.
Paulo. Publica Pequena História da Música.
1943: Publica Aspectos da Literatura
Brasileira, O Baile das Quatro Artes, crítica, e Os Filhos de Candinha,
crônicas.
1944: Escreve Lira Paulistana, poesia.
1945: Coberto de reconhecimento pelo
papel de vanguarda que desempenhou em três décadas, Mário de Andrade
morreu em São Paulo - SP em 25 de fevereiro de 1945, vitimado por um
enfarte do miocárdio, em sua casa. Foi enterrado no Cemitério da
Consolação. Publicação de Lira Paulistana e Poesias completas.
Um capítulo à parte em sua produção literária sem fronteiras é constituído
pela correspondência do autor, volumosa e cheia de interesse,
ininterruptamente mantida com colegas como Manuel Bandeira, Carlos
Drummond de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Fernando
Sabino, Augusto Meyer e outros. Suas cartas conservaram, de regra, a mesma
prosa saborosa de suas criações com palavras — um lirismo que, como ele
disse, "nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou
confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas
sílabas, com acentuação determinada". Coberto de reconhecimento pelo papel
de vanguarda que desempenhou em três décadas, Mário de Andrade morreu em
São Paulo SP em 25 de fevereiro de 1945.
Bibliografia:
Há
uma gota de sangue em cada poema, 1917
Paulicéia
desvairada, 1922
A
escrava que não é Isaura, 1925
Losango
cáqui, 1926
Primeiro
andar, 1926
A
clã do jabuti, 1927
Amar,
verbo intransitivo, 1927
Ensaios
sobra a música brasileira, 1928
Macunaíma,
1928
Compêndio
da história da música, 1929 (reescrito como Pequena história da música
brasileira, 1942)
Modinhas
imperiais, 1930
Remate
de males, 1930
Música,
doce música, 1933
Belasarte,
1934
O
Aleijadinho de Álvares de Azevedo, 1935
Lasar
Segall, 1935
Música
do Brasil, 1941
Poesias,
1941
O
movimento modernista, 1942
O
baile das quatro artes, 1943
Os filhos da Candinha, 1943
Aspectos da literatura brasileira 1943 (alguns dos seus mais férteis
estudos literários estão aqui reunidos)
O
empalhador de passarinhos, 1944
Lira
paulistana, 1945
O
carro da miséria, 1947
Contos
novos, 1947
O
banquete, 1978
Será
o Benedito!, 1992
Antologias:
Obras
completas, publicação iniciada em 1944, pela Livraria Martins Editora, de
São Paulo, compreendendo 20 volumes.
Poesias
completas, 1955
Poesias
completas, editora Martins - São Paulo, 1972
Homenagens:
Foi
escolhido como Patrono da Cadeira n. 40 da Academia Brasileira de Música.
Fonte: Projeto Releituras
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