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Igreja de Santo Antonio
Arte barroca no prédio centenário


A Igreja de Santo Antonio, na Praça do Patriarca, é considerada a mais antiga da cidade. Em 1592, já constava do testamento do donatário Afonso Sardinha, o que leva a supor que sua construção é anterior a essa data. Tratava-se de uma simples ermida, construída por fiéis anônimos.

A primeira reforma foi realizada em 1638, seguida de outras, executadas em 1717, com a ajuda dos devotos e dirigida pelo bispo Dom Bernardo Rodrigues Nogueira. Naquele mesmo ano, a ermida foi elevada à categoria de igreja, em função do aumento do edifício.

A Irmandade de Nossa Senhora dos Homens Brancos, fundada em 1774, foi a responsável por várias reformas que alteraram as feições do templo. Um incêndio no prédio vizinho, ocorrido em 1891, danificou e consumiu parte da igreja.

Em 1899, a prefeitura intimou a Irmandade a providenciar a demolição e a reconstrução da torre e da fachada, devido ao alinhamento da rua Direita. Custeadas pelo Barão de Tatuí e Conde Prates, as obras só foram concluídas em 1919 e incluíram uma reforma geral do templo. Em 1991, outro incêndio danificou os fundos do edifício.

Ao longo de quatro séculos, inúmeras reformas e intervenções comprometeram a integridade artística e arquitetônica da Igreja de Santo Antonio, mas não reduziram sua importância histórica, principal justificativa do tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHHAT) em 1970.

Com recursos provenientes de lei de incentivo à cultura, obras de restauro tiveram início em janeiro de 2005. Durante os trabalhos em um dos altares laterais, foram identificadas intervenções de diferentes épocas, como camadas de tinta e sobreposição de talhas, que encobriam as pinturas originais do altar. Optou-se, então, por recuperar as feições barrocas.

Foram retiradas as talhas do século XX e restauradas as pinturas datadas do século XVII, com a representação de anjos. Agora restaurado, o altar exibe as matizes utilizadas no Barroco Paulista, como o vermelho, o amarelo e o dourado. O visitante pode comparar as diferenças com o altar que ainda aguarda o início dos serviços.

Após prospecções no forro do altar-mor, também foi encontrada uma pintura seiscentista de boa qualidade técnica e artística, que resistiu aos incêndios de 1891 e 1991. Após a etapa de retirada das camadas de tinta, ainda em execução, serão feitos a consolidação e o restauro da pintura.

O achado barroco revela as características da arte produzida em São Paulo no período colonial e reforça a importância da Igreja de Santo Antonio para a história da cidade.

Fonte: Departamento do Patrimônio Histórico