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A Estação da Luz
A
estação é uma espécie de templo à magnitude do poder do café na história
da cidade. Erguida junto ao Jardim da Luz, por décadas a sua torre dominou
a paisagem paulistana. O seu relógio era o principal referencial para
acerto dos relógios da cidade.
A Estação foi
construída no fim da século XIX com o objetivo de ser a sede da recém
criada Companhia São Paulo Railway. Nas primeiras décadas do século XX,
foi a principal porta de entrada à cidade, mas sua maior importância era
econômica: por ali passava o café em direção a Santos e chegavam os
produtos importados que abasteciam a cidade (em uma fase ainda pouco
industrializada).
A atual Estação foi construída entre 1895 e 1901, no lugar da original
Estação da Luz de 1867. Presumivelmente escolhida em um catálogo inglês
pelas autoridades locais, os materiais para sua construção foram
totalmente trazidos da Inglaterra e ela foi simplesmente montada em São
Paulo. Seu projeto é atribuído ao engenheiro inglês Henry Driver, sendo
similar à Flinders Street Station, uma estação existente em Melbourne,
Austrália.
Na década de 1940 a Estação sofreu um incêndio e após a reforma, foi
adicionado um pavimento administrativo. A partir deste período, o
transporte ferroviário entrou em um processo de degradação no Brasil,
assim como o bairro da Luz, levando a Estação a igualmente degradar-se.
Na década de 1990 passou por uma série de reformas, uma das quais
encabeçada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e seu filho Pedro Mendes
da Rocha.
A estação representa o marco zero da linha ferroviária paulista.
Diariamente, passam pelo local 40 trens e cerca de 235 mil usuários.
Mais que uma estação: Acesso a um complexo cultural
A Luz possui cerca de 13 mil metros quadrados de área, na estação
há acessos para três linhas da CPTM. São elas: Linhas A, D e E. A estação,
porém, vai muito além de um local de embarque e desembarque de passageiros
ou de trânsito de trens, a Luz oferece também acesso a importantes
atrações culturais da vida paulistana, como a Pinacoteca do Estado, o
Museu de Arte Sacra, a Sala São Paulo e claro: O Museu da Língua
Portuguesa.
No Museu da Língua Portuguesa, um espaço único de contato com a língua, os
visitantes são convidados a empreender uma viagem sensorial e subjetiva
pela língua, que inclui diversos recursos multimídia como filmes, audição
de leituras e diversos módulos interativos. O Museu recebe milhares de
pessoas e já faz parte do roteiro cultural da cidade de São Paulo.
O templo à magnitude do poder do café
A estação é uma espécie
de templo à magnitude do poder do café na história da cidade. Erguida
junto ao Jardim da Luz, por décadas a sua torre dominou a paisagem
paulistana. O seu relógio era o principal referencial para acerto dos
relógios da cidade.
No período de auge da estação (ou seja, nas primeiras décadas do século
XX, quando a Luz era uma região de destaque na cidade), a Estação compunha
um conjunto arquitetônico que não só era um referencial urbano como
efetivamente fazia parte da vida cotidiana do município, constituindo
aquilo que pode ser chamado de a "imagem da cidade". A Estação, vizinha ao
Jardim da Luz, compunha com o edifício da Pinacoteca do Estado um marco na
definição da região da Luz, marcando os limites dos bairros do Bom Retiro
e Campos Elíseos.
Além disso, até meados dos anos 70, um terceiro elemento configurava
aquele espaço de forma bastante marcante: na perspectiva da Avenida
Tiradentes localizava-se, em frente à Pinacoteca, um monumento à figura de
Ramos de Azevedo (arquiteto responsável pelo projeto de diversos edifícios
importantes naquele período, inclusive o prédio da Pinacoteca). Desta
forma, tendo como referência aquele monumento, alguém localizado tanto no
Centro Antigo quanto nas regiões mais próximas ao Rio Tietê (para o qual a
Avenida Tiradentes se estende) poderia localizar o bairro da Luz e
especular qual a distância a que estava da Estação.
Com as obras do metrô de São Paulo, conduzidas na década de 70, o
Monumento a Ramos de Azevedo teve de ser removido do local, o que alterou
radicalmente a configuração espacial da paisagem, assim como a sua
percepção cotidiana dos transeuntes do local. Por outro lado, a Estação da
Luz ganhou uma certa monumentalidade.
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