Hélio Bertolucci Jr | BLOG SÃO PAULO Metrópole

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Bixiga, 131 anos de fundação

Já foi um lugar de negros fugitivos, mas ganhou fama  pela presença da imigração italiana, dos calabreses, que nele foram instalando inúmeras  cantinas.

O 1º de outubro, considerada a data oficial do bairro, foi o dia em que o imperador Dom Pedro II oficializava num terreno entre as ruas Abolição, Major Diogo, Santo Antonio e São Domingos a construção da Santa Casa de Misericórdia, doado por Antônio José Leite Braga proprietário de vários terrenos na região. Contudo, alguns médicos acharam que ali não era o lugar apropriado para abrigar um hospital e este foi construído na Vila Buarque.

Por que Bixiga? Algumas hipóteses: A primeira diz que os negros que contraiam varíola (bexiga) eram isolados na Baixada do Piques. A segunda é que na região da Rua Santo Amaro existiu um matadouro onde se vendiam bexigas de bois e uma terceira  hipótese ganhou este apelido  de José Bexiga que era dono da estalagem do Bexiga. O nome “Bixiga” não existe oficialmente.

O certo que o bairro ficou mesmo  famoso por suas cantinas, restaurantes e pizzarias,  tornando-o no  inicio da década de 1990 um dos lugares mais badalados de São Paulo, com inúmeros bares com música ao vivo, em especial com cantores de MPB.

Bixiga do café Piu-Piu, do Café do Bexiga, dos inúmeros karokês que existiram na Rua Rui Barbosa.

Bixiga da Igreja e festa da Achiropita, da feirinha de antiguidades na Praça Dom Orione, das lojas de antiquários que funcionam em alguns casarões que  resistiram ao tempo.

Bixiga dos pães italiano, da Padaria 14 de Julho,  São Domingos, Basilicata e Italianinha.

Bixiga dos teatros Oficina, TBC  e Zaccaro (os dois últimos infelizmente fechados). Da danceteria Aquarius que funcionou, no final da década de 1970, no Teatro Zaccaro.

Bixiga do Armandinho do Bixiga , do Adoniram Barbosa e de Dona Yayá.

Bixiga do Vila Tavola, Speranza, Conchetta, Roperto e tantos outros pequenos restaurantes, bares e pizzarias.

Bixiga da Escola de Samba Vai-Vai.

Contudo, esta Bela Vista do Bixiga precisa ser melhor cuidado e o melhor presente que as autoridades poderiam dar a este bairro tão tradicional é a limpeza urbana, pois o bairro anda muito sujo e o tombamento de muitos imóveis importantes que ainda contam a história deste lugar bucólico.

Parabéns Bixiga!!!

Lançamento do Livro “Nossa cidade, Nossa casa”

A associação Preserva São Paulo convida todos os interessados para participarem do lançamento da primeira publicação da associação, o livro “Nossa cidade, Nossa casa”.

O lançamento será na próxima terça-feira (22) , das 19 às 21 horas, no belo auditório do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, na Rua Benjamin Constant, 158 (metrô Sé). Quem comparecer no lançamento vai ganhar de graça um exemplar do livro.

Numa linguagem bem didática, ele explica a importância da preservação e dá várias dicas de como conservar e restaurar seu imóvel, histórico ou não. E ainda ensina a reconhecer os principais estilos arquitetônicos da cidade, tudo isso ricamente ilustrado. (mais…)

Boa Morte, a Igreja da Independência

Neste dia 07 de setembro estaremos comemorando os 187 anos da Proclamação da Independência. Naqueles idos de 1822 a cidade de São Paulo era um lugar pacato, com 10 mil habitantes, e a cidade se estendia do Largo de São Bento, Praça João Mendes, Libero Badaró, Rua do Carmo até a Tabatinguera, o que compreende o delta dos rios Anhangabaú e Tamanduateí.

Conta a história que o princípe regente que regressava de Santos  foi acometido de uma dor de barriga, parou na região do riacho do Ipiranga, onde recebeu das mãos de um portador a carta de Dona Leopoldina contendo as últimas notícias vindas de Portugal. Dizem que esta carta nunca fora encontrada, chegando-se à conclusão de que tenha sido usada por D. Pedro I como “acessório higiênico”.

A Imperatriz que ocupava – nomeada por decreto – o lugar do marido quando este viajava, cinco dias antes já havia decidido, junto com os ministros, pela separação definitiva entre Brasil e Portugal. Sendo assim, ocorreu no dia 7 o grito pela Independência dado por Dom Pedro I, cena está retratada no quadro de Pedro Américo.

A notícia correu a cidade e uma igreja em especial, por meio dos seus sinos,  saudou Dom Pedro I logo após a Independência. Esta  igreja que entrou para a história da cidade, mas pouco conhecida dos paulistanos é a da Boa Morte localizada Rua do Carmo esquina com a Rua Tabatinguera e  que recentemente foi toda restaurada. Por sua localização privilegiada do alto da colina e vista dos que vinham do Ipiranga, dizem que Dom Pedro se aproximando da cidade, chegou nas imediações da Rua do Carmo parou , entrou na igreja e rezou.

Naquela noite, após o episódio da Igreja, a festa maior aconteceu na Casa da Ópera, localizada nos baixos do extinto Palácio do Governo, no Páteo do Colégio, onde Dom Pedro I foi aclamado o primeiro rei do Brasil. Os paulistas deram total apoio naquele histórico momento, fiéis ao príncipe, inclusive com apoio armado.

Passados todos esses anos da Independência do Brasil, pouco restou daquele período. O riacho do Ipiranga foi canalizado, existindo no local somente um espelho d’água simbólico. A Casa do Grito é uma réplica do que poderia ser uma residência naquela época, assim como existe na região do Parque da Independência  o que poderia ser o antigo Caminho do Mar.  (mais…)

20 anos sem Raul

Em 21 de agosto de 1989 o Brasil perdia o baiano Maluco Beleza, com 44 anos. Raul Seixas teve projeção nacional em 1972 quando ganhou VII FIC-Festival da Canção com a música “Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo” vestido de Elvis Presley. Raul morreu de uma parada cardíaca, decorrente de uma pancreatite pelo abuso das bebidas alcoólicas.

Quando criança – ainda na Bahia – devorava os livros do pai e aos 10 anos ganhou seu primeiro violão onde começou o contato com o rock and roll. Em 1959 funda o Elvis Rock Club, Em 1962 montou a banda Relâmpagos do rock, que depois mudou de nome para Panthers.

Foto:Divulação

Foto:Divulação

Raul casou-se algumas vezes. Em 1966 com a americana Edith Wisner onde o casal teve a filha Simone. Em 1975 com Glória Vaquer, irmã do seu guitarrista Jay Vaquer, desta união nasceu Scarlet em 1976. Em 1978 engata um namoro com Tânia Menna Barreto. Este namoro durou pouco e no ano seguinte passou a viver com Ângela Maria Affonso Costa. Deste casamento nasceu Vivian sua terceira filha. Separa-se de Ângela em 1984 e no ano seguinte conhece sua última companheira, Lena Coutinho.

Raul teve uma carreira complicada entre altos e baixos, mas em 1983 voltou ao sucesso participando do especial infantil Plunct Plact Zum da Rede Globo com a música “Carimbador Maluco”. Em parceria com o escritor Paulo Coelho criaram músicas inesquecíveis entre elas “Al Capone”, “Eu nasci há 10 mil anos atrás” e “Gita” misturando anarquismo e esoterismo em plena ditadura militar. Participou também da trilha sonora da novela  “O Rebu” com a música “Como vovó já dizia”.

Em 1986 sua saúde estava muito debilitada e Raul foi internado muitas vezes. Em 1988 acabou mudando para um pequeno apartamento no Edifício Aliança na Rua Frei Caneca. No ano seguinte é encontrado morto dentro do apartamento pela fiel empregada Dalva Borges da Silva. (mais…)

Praça da Sé, patrimônio quase abandonado

A famosa Praça da Sé, com seu marco zero, sua linda Catedral, sua nova estátua do apóstolo São Paulo, não apresenta em toda a sua extesão a mesma beleza e a mesma frequência de pessoas.

A parte que vai da Rua Roberto Simonsen até a frente do Palácio da Justica – que recentemente recebeu uma bela iluminação – parece que não faz parte da Praça da Sé da Catedral. (mais…)

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