Marcha da Liberdade reúne 2 mil pessoas em SP
Texto: Tiago Muniz
Imagens: Guilherme Lara Campos
Transcorreu com poucos problemas a Marcha da Liberdade realizada na tarde deste sábado que passou pela Avenida Paulista, Rua da Consolação e culminou na Praça da República. A saída do evento se deu às 16h do vão livre do Museu de Arte de São Paulo e se dispersou às 18h50. Duas pessoas foram detidas depois de tentarem agredir uma equipe da Rede Globo próximo à Igreja da Consolação. A Polícia Militar estimou a participação de 2 mil pessoas.
A manifestação a princípio foi proibida por liminar expedida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo no final da tarde da última sexta-feira. No entanto, a Polícia Militar e os manifestantes chegaram a um acordo e o protesto acabou sendo realizado. “Existia uma proibição a uma manifestação semelhante à Marcha da Maconha. Não é o que está acontecendo aqui. A presença de vários movimentos sociais e até partidos políticos mostra que o caráter do ato é defesa de liberdade de expressão”, declara o porta-voz da PM, capitão Carlos José de Brito.
A Marcha da Maconha em São Paulo seria a princípio realizada no último dia 21. A Justiça proibiu a manifestação com o cunho de apologia à droga e houve confronto severo entre as forças policiais e manifestantes na semana passada.
Concentração – O ato estava marcado para às 14h, meia-hora antes disso, os policiais militares cercavam o local formando uma espécie de cordão, sendo no entanto possível trafegar normalmente. Eram distribuídas flores aos presentes. Uma das pessoas que ofertavam as plantas era a advogada Juliana Machado “Elas [as flores] são contra a ideia da força e representam sim a força das ideias. Contra as pedras viemos com um símbolo da gentileza”, diz.
Às 14h40 é anunciado que houve acordo entre policiais e manifestantes e que a saída se daria duas horas depois com uma condição: que não se fizesse nenhuma apologia às drogas. Outra causa representada era a dos ciclistas. “Eu vejo a bicicleta como único meio de transporte viável para mim. Só que ainda assim o ciclista tem medo. Sei de muita gente que faz o sinal da cruz antes de sair para pedalar. Venho aqui porque participei de outras marchas onde a polícia foi violenta e estou aqui a favor da liberdade”, afirma o programador Bruno Gola. Compareceram à marcha também representantes do Movimento Passe Livre (MPL), ativistas anti-homofobia, anti-racismo, pró-aborto, membros do PSOL, PCO, PCB e do movimento dos Libertários. Além, é claro, de ativistas pró-regularização da maconha que não puderam falar o nome da substância.

Não eram apenas jovens que se colocavam entre os participantes. O casal de professores Terezinha, 53, e Roberto Pereira, 49, também marcharam nas ruas da capital paulista. “Temos que impedir o retrocesso em relação às liberdades individuais. É isso que está sendo atacado hoje”, fala Roberto. Terezinha é mais incisiva: “Vivemos uma época de retrocesso e mediocridade. Temos que ter firmeza e sinalizar à geração mais jovem antes que isso aqui vire um Big Brother.”
O escritor Marcelo Rubens Paiva também carregou em tintas fortes: “Estou me manifestando contra as ações de forças reacionárias que impedem a discussão de assuntos importantes e se utilizam de métodos nazistas e fascistas para impedir uma juventude que só quer manifestar sua opinião. O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) também esteve presente e falou pela legalidade: “Acho que o que se discute aqui hoje é o direito de se manifestar, que é permitido. Temos que a manter a polícia dentro de suas funções constitucionais.”
Partida – Pouco depois das 16h, os manifestantes saíram pela Avenida Paulista tomando duas faixas da pista sentido Consolação. A PM mobilizava 250 integrantes e 76 viaturas entre motos e carros. Vinte minutos depois da saída, integrantes do MPL subiram o Conjunto Nacional e estenderam uma faixa de protesto que ficou aproximadamente dois minutos no local até que seguranças do prédio fizeram a retirada do material.
Por vezes, algumas pessoas isoladamente fizeram menção à maconha, mas por se tratar de representação bastante pequena e sem amplificação dentro da passeata, a polícia não interveio. Às 16h50 a Marcha virou a Rua da Consolação. O grito que mais chamou a atenção durante a passeata era “Vem, vem, vem pra rua vem contra a censura!” dito sempre quando pessoas dos prédios saíam às janelas e observavam o movimento.
Quando a caminhada passou pelo Cemitério da Consolação foi feito um minuto de silêncio. Por volta das 17h55, o movimento parou cerca de 10 minutos em frente à Igreja da Consolação por conta da confusão entre os dois agressores e a equipe da Rede Globo. Mesmo com isso, a passeata continuou sem problemas até o encerramento e dispersão na Praça da República quando era quase 19h.




